Organizadores: Luan Barbosa
Editora: Mondru
Páginas: 287
Ano de publicação: 2025
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Romance de estreia de Luan Barbosa, Cabrita da Peste é um encontro entre humor ácido, afeto nordestino e autoficção Murilo, um jornalista ansioso e irônico, redescobre um antigo roteiro durante a terapia e, com ele, reencontra Lindalva — uma sertaneja destemida, debochada e inesquecível. O que era só um projeto engavetado se transforma em um mergulho emocional: entre crises de ansiedade, conversas com a terapeuta e reencontros do passado, Murilo se vê confrontado por suas próprias verdades.Entre João Pessoa, São Paulo e os sertões da memória, Cabrita da Peste fala da dor de crescer, do medo de amar, da solidão millennial e da força de quem nunca perdeu o riso, mesmo com o coração quebrado.Se você gosta de narrativas com voz própria, personagens marcantes e aquele tempero arretado da cultura nordestina, prepare-se: Lindalva não pede licença — ela chega mudando tudo.
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é de Cabrita da Peste, romance escrito por Luan Barbosa e publicado pela editora Mondru. A resenha foi escrita por Leonardo Santos.
Aqui conhecemos Murilo, um jornalista ansioso, irônico e cheio de projetos que ficaram pelo caminho. Durante as sessões de terapia, ele reencontra um antigo roteiro engavetado, também chamado Cabrita da Peste, e decide revisitar aquela história que, até então, parecia só mais uma tentativa frustrada de organizar a própria vida. O que começa como exercício vira confronto e é nesse roteiro que surge Lindalva.
Destemida, debochada Lindalva é uma força motriz que conduz a narrativa. É incrível como o livro ganha um novo tom com a presença dela! Enquanto Murilo vive entre João Pessoa, São Paulo e os sertões da própria memória, tentando entender suas crises de ansiedade e seus medos de amar, Lindalva aparece como quem desmonta certezas. Ela carrega humor, afeto e uma coragem que contrasta diretamente com a hesitação constante do protagonista.
O livro brinca com essa mistura entre literatura e roteiro, criando um jogo interessante entre ficção e realidade. Em muitos momentos, é difícil separar o que é criação de Murilo e o que é reflexo daquilo que ele evita encarar. As sessões de terapia ajudam a estrutura da narrativa, empurrando o protagonista para perguntas que ele passou anos ignorando.
O que mais me chamou atenção foi o equilíbrio entre humor ácido e dor. Cabrita da Peste faz rir, mas não esconde as cicatrizes. A solidão millennial, o medo de não corresponder às expectativas, a sensação de estar sempre atrasado em relação aos próprios sonhos, tudo isso aparece sem dramatização exagerada, mas com honestidade.
A ambientação é maravilhosa! O nordeste pulsa na linguagem, nos personagens secundários, nas memórias e na construção de Lindalva. Há um cuidado evidente em valorizar essa identidade sem transformar nada em caricatura. O resultado é uma narrativa cheia de vida, com diálogos que soam naturais e personagens que parecem prontos para atravessar a página.
Sendo um romance de estreia, impressiona a segurança com que Luan Barbosa conduz a história. A leitura é fluida, os capítulos avançam com ritmo e a estrutura híbrida funciona muito bem dentro da proposta. Existe, inclusive, um potencial enorme para adaptação audiovisual, justamente pela forma como o texto já dialoga com o formato de roteiro.
No fim das contas, Cabrita da Peste é um livro sobre revisitar o passado para conseguir seguir em frente. Sobre entender que crescer dói, que amar assusta e que rir, muitas vezes, é a única maneira de não sucumbir. É uma história sobre escrita como cura e sobre personagens que acabam ensinando mais do que deveriam.
Se você gosta de narrativas com voz própria, personagens marcantes e aquela mistura de deboche com sensibilidade, fica aqui minha recomendação!





















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