23 de fevereiro de 2026

RESENHA: O AMOR É UM APOCALIPSE PARTICULAR



Organizadores:  João Young
Editora: Voe
Páginas: 412
Ano de publicação: 2025
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Dante tem 19 anos, um diagnóstico recente de transtorno bipolar, uma mãe exausta e um amor impossível: Ângelo, seu melhor amigo. Enquanto o mundo inteiro entra em colapso diante da ameaça real de um cometa em rota de colisão com a Terra, ele só consegue pensar em uma coisa: e se eu nunca contar a ele o que sinto? O tempo está acabando, e talvez ele também.Entre crises de ansiedade, sessões de terapia, baseados mal escondidos e a angústia de amar quem não te enxerga, Dante tenta sobreviver ao apocalipse mais íntimo de todos: o de não ser correspondido. Porque, às vezes, o fim do mundo não é uma explosão no céu, mas um silêncio entre dois corpos que nunca se tocam. Quando tudo ao redor parece prestes a acabar, o que resta é o medo de não ter vivido o que realmente importava.


Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro O amor é um apocalipse particular, lançado pela editora Flyve. O livro é de autoria de João Young. A resenha foi escrita por Leonardo Santos. 

Dante é um jovem que vive em um mundo com data de validade. Após a descoberta do cometa TC-2025 Argos, a humanidade sabe exatamente quando tudo vai acabar: em quatro anos. Enquanto o planeta mergulha em um misto de niilismo, festas desesperadas e negação, Dante enfrenta seu próprio fim do mundo interno. Diagnosticado com transtorno bipolar e ansiedade generalizada, ele tenta equilibrar o peso do diagnóstico com a dor de um amor que ele acredita ser impossível.

O foco da narrativa é a relação de Dante com seu melhor amigo, Angelo. Dante é apaixonado por ele em segredo, mas o medo da rejeição e a crença de que Angelo é heterossexual o fazem se calar. Em meio a crises de pânico, medicamentos e o céu que ameaça desabar a qualquer momento, acompanhamos Dante em uma jornada de autossabotagem e descoberta. Ele se vê dividido entre a segurança de um novo relacionamento com Lucca e o abismo que é o sentimento por Angelo, enquanto o tempo escorre pelas mãos.

Desde que o cometa foi anunciado, a sociedade mudou. Mas o que João Young nos mostra é que, mesmo diante da extinção em massa, o que realmente nos move são as nossas conexões pessoais. Dante precisa aprender a lidar com seus "apagões", com a pressão de uma mãe protetora e com a iminência do nada, tentando entender se ainda vale a pena amar quando não há mais futuro.

Ao mergulhar na mente de Dante, o maior impacto é perceber como a saúde mental molda a nossa percepção da realidade. Em um mundo que está morrendo, Dante sente tudo em dobro. Ele se questiona: como manter a sanidade quando o exterior é puro caos? Como se declarar quando o "para sempre" não existe mais? A narrativa nos leva a refletir sobre como tomamos posse dos nossos sentimentos e como, muitas vezes, somos possuídos pelos nossos próprios medos e traumas.

Minha experiência com a escrita de João Young foi visceral. A forma como ele utiliza o cenário apocalíptico para falar de temas tão íntimos como bissexualidade, religiosidade e saúde mental é espetacular. O que mais brilha na história não é o cometa no céu, mas sim as referências emocionais e psicológicas que o autor constrói.

Publicado recentemente, podemos notar que essa distopia ressoa com angústias muito reais e atuais: a ansiedade geracional, o isolamento e a busca por identidade em tempos de crise. João se apoia no fim do mundo para nos trazer questionamentos sobre a coragem de ser quem somos. Afinal, se o mundo acabasse amanhã, você teria coragem de dizer quem realmente ama? Ou continuaria guiado por ações "egoízadas" e pelo medo do julgamento?

Os pontos que esse livro levanta sobre a vulnerabilidade masculina e o peso dos diagnósticos são tantos que eu poderia falar sobre ele por horas, mas espero que esses tópicos sejam o suficiente para você dar uma chance a essa obra nacional potente.

A edição da Flyve está muito bonita, com uma capa que traduz perfeitamente essa melancolia luminosa da história. Precisamos ler mais autores que falem sobre as nossas dores com tanta delicadeza e verdade, e João Young certamente é uma dessas vozes que não podem esperar.





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Leonardo Santos



Olá leitories! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 28 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Guarulhos cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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