"Quando quatro assassinos em série são executados numa estrada sob circunstâncias inexplicáveis, o país inteiro entra em colapso moral. Entre revolta, idolatria e teorias conspiratórias, nasce uma pergunta impossível de ignorar: quem tem o direito de decidir quem merece viver?A investigação conduzida pelo delegado Eduardo Brianesi revela a existência de uma organização clandestina conhecida apenas como O Círculo — uma presença silenciosa, sofisticada e aterradora, capaz de manipular pessoas comuns através de seus traumas, medos e convicções mais profundas. À medida que o caso se espalha pelas redes sociais, pela mídia e pelos bastidores da política nacional, o Brasil mergulha numa espiral de paranoia, violência e radicalização.Ao lado da renomada psicóloga criminal Paola Arantes Vieira, Eduardo se vê diante de um jogo psicológico brutal, onde justiça e crueldade passam a dividir a mesma face. Enquanto figuras influentes desaparecem, segredos de Estado vêm à tona e a opinião pública se transforma numa arma imprevisível, uma verdade perturbadora começa a emergir: talvez o maior perigo não esteja no Círculo, mas no quanto a sociedade deseja acreditar nele."
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro O Círculo, Olivro é de autoria de Renato Ribeiro e resenha foi escrita por Leonardo Santos.
Tudo começa quando quatro assassinos em série são retirados de um presídio de segurança máxima sob a justificativa de serem levados para realizar exames médicos. Durante o trajeto, no entanto, o transporte é interceptado por uma organização desconhecida chamada O Círculo. Pouco tempo depois, os quatro criminosos são executados pelos próprios agentes responsáveis pela escolta, que assumem toda a responsabilidade pelo ocorrido, mas se recusam a revelar qualquer informação sobre quem realmente estava por trás daquela operação.
O caso rapidamente toma conta dos noticiários e das redes sociais. Enquanto parte da população comemora a morte de criminosos considerados irrecuperáveis, outra parte questiona quem teria autoridade para decidir quem merece viver ou morrer. No centro dessa investigação está o delegado Eduardo Brianesi, que passa a tentar compreender como pessoas comuns, sem qualquer histórico de violência, foram levadas a cometer crimes tão extremos. Ao lado da psicóloga criminal Paola Arantes Vieira, ele descobre que aqueles acontecimentos fazem parte de algo muito maior, uma organização capaz de explorar traumas, sentimentos e convicções pessoais para convencer indivíduos de que estão fazendo justiça.
Conforme a investigação avança, novos casos surgem em diferentes partes do país. Cada um deles parece completamente independente à primeira vista, mas todos compartilham o mesmo padrão: pessoas comuns passam a acreditar que determinadas vidas não deveriam mais existir. Aos poucos, o livro deixa de ser apenas uma investigação policial para se transformar em uma discussão sobre manipulação, psicologia, radicalização e os limites entre justiça e vingança.
O que mais gostei em O Círculo foi justamente essa construção. Renato Ribeiro cria uma narrativa que cresce de forma muito natural desde o início! O primeiro caso já desperta curiosidade, mas a história vai ficando ainda mais interessante conforme novas peças vão sendo adicionadas à investigação, isso porque existe uma sensação constante de que há algo muito maior acontecendo nos bastidores e que não estamos vendo totalmente (e eu amo isso).
Também gostei bastante da forma como o autor trabalha a psicologia dos personagens. O foco nunca está apenas em descobrir quem cometeu determinado crime, mas principalmente entender por que essas pessoas chegaram até aquele ponto. Os interrogatórios, as conversas entre os investigadores e as análises da Paola ajudam a construir esse aspecto da narrativa sem deixar a leitura lenta, trazendo discussões que enriquecem bastante a história.
Outro ponto que me chamou atenção foi a maneira como Renato utiliza as redes sociais e a repercussão pública para ampliar o impacto dos acontecimentos, mostrando como uma investigação pode ultrapassar o âmbito policial e influenciar toda uma sociedade, dividindo opiniões e transformando qualquer novo acontecimento em um grande debate público. É um elemento que deixa a narrativa ainda mais atual.
Os capítulos são curtinhos e dinâmicos, alternam diferentes personagens e mantêm um ritmo muito constante. Mesmo quando a história muda de núcleo, a sensação é de que tudo está conectado e caminhando para um objetivo maior. Aos poucos, a trama vai revelando essas conexões sem entregar respostas de forma precipitada, mantendo o suspense até os momentos certos.
Enfim, galera! Renato Ribeiro constrói uma história que utiliza o suspense para discutir justiça, manipulação e comportamento humano, sempre deixando espaço para que o próprio leitor reflita sobre os acontecimentos. É uma leitura que prende pela construção do mistério e pela forma como consegue desenvolver seus personagens e seus conflitos ao longo da narrativa.




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