28 de abril de 2026

ENTREVISTA COM DÊNNIS PENNA CARNEIRO




Olá pessoal do Porão Literário! Hoje vou compartilhar com vocês uma entrevista feita com Dênnis Penna Carneiro, autor de A Cidade de Giges.

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1. A cidade de Giges parece funcionar como um microcosmo de várias tensões que vemos no mundo real, principalmente no que diz respeito ao controle do conhecimento. Em que momento surgiu a ideia de construir essa cidade com base nessa relação tão direta entre poder, religião e informação?

Em 2020 iniciei uma página de crônicas no Facebook chamada Contos e Crônicas. Uma dessas ideias ficou grande demais para a proposta da página e foi então que no mesmo ano,  resolvi aventurar-me em um romance. Precisamos lembrar que o mundo em 2020 passava pela pandemia de Covid-19. Logo, a desinformação, polarização política e “palpites” religiosos saltavam aos nossos olhos. Como cético, sempre tive ressalvas com regimes declaradamente teocráticos ou com aqueles que tentavam disfarçar esse viés sob o véu da democracia. Em “A cidade de Giges”, eu propus tirar os ruídos que às vezes não nos deixam perceber o quão intrincadas essas relações ainda são em nossos dias. E talvez, o quão perigoso isso pode ser.

2. O Éthos é um personagem que carrega um peso simbólico muito forte dentro da narrativa, especialmente por ocupar esse lugar de resistência. Como foi o processo de construção dele? Você pensou nele primeiro como personagem ou como uma ideia que precisava ser representada?
 
Éthos, ética em grego, é a personificação do que seria uma pessoa correta mesmo longe da vigilância dos outros. O mito do anel de Giges, presente no livro II de A República, faz justamente esta discussão: seríamos bons se não pudéssemos ser vistos? Éthos é a tentativa desta resposta. Foi construído paulatinamente, assim como todos os personagens do livro. Eu tinha uma ideia do que queria representar com ele, mas os seus detalhes e maneirismos foram se apresentando aos poucos. 

3. A escalada da violência ao longo do livro é algo que chama bastante atenção, principalmente porque Giges começa como um lugar pacato. Você já tinha essa progressão bem definida desde o início ou ela foi se moldando conforme a história avançava?

Não, eu tinha nada muito bem definido, embora soubesse que a ruptura deveria ser brusca a fim de contrastar com a calmaria prévia da cidade. Quando comecei o livro, eu tinha as linhas finais em minha cabeça, mas os meios pelos quais eu lá cheguei também foram sendo apresentados a mim pouco a pouco. Meu processo de escrita era sentar em frente ao computador e fazer um novo capítulo. Sentia que às vezes avançava e em outras andava de lado, principalmente em capítulos mais reflexivos.

4. O livro traz elementos de realismo fantástico que se misturam com uma crítica social bem direta. Como você equilibrou essas duas camadas na narrativa para que uma não sobrepusesse a outra?

Como cético, eu não queria nada muito fora da realidade e a própria invisibilidade foi bem explicada. Minha mensagem ao leitor foi justamente provocar um “desencantamento” do mundo. Um pouco antes de iniciar a escrita do livro, eu havia acabado de ler “O mundo assombrado pelos demônios” de Carl Sagan, onde ele busca justamente mostrar que o mundo não é tão mágico como pensamos, inclusive com duras críticas às pseudociências como astrologia e cristais energéticos. Sagan também comenta sobre o milagre de Fátima de 1917. Este evento serviu como inspiração para o episódio do anjo em meu livro.

5. A obra levanta questionamentos importantes sobre fanatismo e sobre a forma como lidamos com o conhecimento. Depois de finalizar o livro, o que você mais gostaria que os leitores levassem dessa experiência?

A mensagem principal do livro é sobre a busca incessante do conhecimento. Quando lemos sobre os mais diversos assuntos, é impossível que não mudemos. Muita gente acaba tendo suas convicções sem qualquer questionamento. As coisas são do jeito que disseram que são e não há qualquer questionamento. O conhecimento realmente é perigoso e inquietante, mas acredito ser, através dele, a única forma de sermos realmente livres.




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Leonardo Santos



Olá leitories! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 28 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Guarulhos cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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