20 de julho de 2026

RESENHA: OS PECADOS DE WHITECHAPEL



Organizadores:  Ricardo Colares
Editora: Viseu 
Ano de publicação: 2026
Compre através desse link

Londres, 1895. Dois anos após os assassinatos que marcaram Whitechapel para sempre, a cidade volta a estremecer quando o corpo do padre Philippe é encontrado brutalmente mutilado dentro de uma igreja católica. O crime não apenas reacende o medo coletivo como expõe a ferida que a moral vitoriana insistiu em esconder sob tapetes de veludo e discursos respeitáveis.O caso cai nas mãos do inspetor Arthur Mahood, um homem respeitado pela polícia, irrepreensível em público e profundamente falho na vida privada. Filho de uma cozinheira irlandesa, criado entre aristocratas, Mahood construiu uma carreira sólida à custa de silêncios, omissões e afetos mal resolvidos. Casado, pai de dois filhos, divide-se entre a rotina doméstica fria e os becos de Whitechapel, onde mantém uma relação clandestina com Belle White, dama culta e perspicaz, sua confidente involuntária.À medida que a investigação avança, Mahood mergulha nos subterrâneos da cidade: bordéis masculinos, círculos artísticos, escândalos abafados pela elite e pela própria polícia. Nesse submundo, surgem figuras históricas reais e membros da aristocracia britânica, revelando uma Londres onde o pecado privado sustenta a moral pública.

 

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Os Pecados de Whitechapel, publicado pela Viseu e escrito por Ricardo Colares. A resenha foi escrita por Leonardo Santos. 



Londres ainda tenta esquecer os crimes de Jack, o Estripador, quando um novo assassinato faz Whitechapel mergulhar novamente no medo. O corpo do padre Philippe é encontrado brutalmente mutilado dentro de uma igreja, e as semelhanças entre o crime e os casos que aterrorizavam a cidade anos antes levantam uma dúvida inevitável: será que o Estripador voltou?


A investigação fica nas mãos do inspetor Arthur Mahood, um homem respeitado pela polícia, mas que esconde uma vida pessoal muito distante da imagem que construiu para si. Enquanto tenta descobrir quem matou o padre, Mahood percorre os becos de Whitechapel, frequenta bordéis clandestinos, confronta membros da aristocracia e se vê diante de uma cidade onde a moral defendida em público raramente corresponde ao que acontece entre quatro paredes. Ao mesmo tempo, ele precisa lidar com um casamento desgastado, uma relação extraconjugal e, principalmente, com a distância que criou entre ele e o filho Artie, um jovem marcado pela rejeição e pela solidão.



Esse foi meu segundo contato com a escrita de Ricardo Colares. Há algum tempo li O Décimo Terceiro Apóstolo, um romance histórico ambientado no período bíblico, então comecei Os Pecados de Whitechapel imaginando que encontraria algumas semelhanças entre as duas obras. A surpresa foi justamente perceber o quanto o autor consegue transitar entre propostas completamente diferentes. Enquanto o primeiro livro se apoia em um contexto histórico e religioso bastante específico, aqui Ricardo mergulha de cabeça em um suspense policial ambientado na Londres vitoriana, sem perder a preocupação com a construção dos personagens. Achei muito interessante ver essa versatilidade.


É justamente nesse ponto que Ricardo Colares mostra que seu livro vai muito além de um romance policial. Sim, existe um assassinato, pistas espalhadas ao longo da narrativa e uma investigação que prende a atenção, mas a impressão que fica é que descobrir quem matou acaba sendo apenas uma parte da história. O autor está muito mais interessado em discutir aquilo que levou cada personagem até esse momento.



Arthur Mahood é, sem dúvida, o maior acerto do romance. Ele está longe de ser um protagonista perfeito, e talvez seja exatamente por isso que funciona tão bem. É competente durante as investigações, mas completamente perdido quando o assunto é sua própria família. Enquanto consegue observar detalhes mínimos em uma cena de crime, ignora tudo o que acontece dentro de casa. Essa contradição acompanha o personagem durante toda a narrativa e faz com que ele seja muito mais interessante do que um simples detetive brilhante.


Outro aspecto que gostei bastante foi a construção de Artie. Desde as primeiras aparições fica claro que existe algo muito maior acontecendo com ele, e o autor desenvolve isso aos poucos, sem recorrer a explicações bobas. Sua trajetória conversa diretamente com os temas centrais do livro, principalmente abandono, pertencimento e as consequências do silêncio dentro de uma família. Conforme a história avança, fica evidente que alguns dos acontecimentos mais importantes da narrativa começaram muito antes do primeiro assassinato.


Também gostei da forma como Ricardo Colares utiliza a Londres vitoriana (que é uma época que eu simplesmente adoro); as ruas, os cortiços, as igrejas, os jornais e os espaços frequentados pela elite ajudam a construir uma cidade marcada por contrastes! Esse cuidado com a ambientação deixa a leitura bastante imersiva e demonstra uma pesquisa consistente por trás da obra.


Outro mérito está na maneira como personagens históricos e acontecimentos reais são incorporados à narrativa, pois elas ajudam a fortalecer a atmosfera do romance e tornam a investigação ainda mais interessante para quem gosta desse período da história.


A escrita de Ricardo Colares também merece destaque. Narrado em primeira pessoa, o livro nos aproxima bastante dos pensamentos de Arthur Mahood, permitindo acompanhar suas inseguranças, preconceitos, arrependimentos e conflitos internos. Isso faz com que a investigação tenha um peso emocional maior, já que acompanhamos não apenas as descobertas sobre o crime, mas também o desgaste psicológico do próprio protagonista.


Os Pecados de Whitechapel entrega uma investigação envolvente, personagens complexos e uma ambientação muito bem construída, mas seu maior mérito está em mostrar que o suspense serve como ponto de partida para discutir pessoas, relações e escolhas. Depois de conhecer Ricardo Colares por meio de um romance histórico com outra pegada, foi muito interessante vê-lo explorar um gênero completamente diferente com segurança. Se você gosta de histórias de investigação, personagens cheios de camadas e uma ambientação histórica bem trabalhada, esse livro merece entrar na sua lista de leituras.








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Leonardo Santos



Olá leitories! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 28 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Guarulhos cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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