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RESENHA: REVOLTA DA VACINA

23 de março de 2021


REVOLTA DA VACINA
Autor(a): André Diniz
Editora: DarkSide Books

Páginas: 176
Ano de publicação: 2021
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Há pouco mais de um século, no final do ano de 1904, o Brasil vivia uma crise social e sanitária. Enquanto o país tentava se ajustar à recente mudança de sistema de governo, de Império para República, proliferavam-se as moléstias causadas pelo saneamento precário, e por mosquitos e ratos, como a varíola, a febre amarela e a peste bubônica. O epicentro da crise era a então Capital Federal do país, a cidade do Rio de Janeiro, em que essa crise social se transfigurava em uma crise urbanística. O Rio era uma cidade caótica, de urbanização colonial, despreparada para comportar a própria população, que crescia cada vez mais. Além de destino de emigrantes de todas as partes do país e do mundo, no alvoroço de seu ambiente social coabitavam os herdeiros da escravidão, recém-libertos, e uma elite que buscava repelir toda a cultura não dominante, ou seja, dos pobres e de matriz africana. Nada que não tenha persistido – ou se intensificado – com a passagem do século. A solução encontrada para a crise urbanística foi uma reforma geral na cidade, em que os moradores de cortiços foram escorraçados para os morros da cidade. A solução para a epidemia foi a vacina compulsória, idealização do sanitarista Oswaldo Cruz, o que gerou uma revolta na população. Esse é o pano de fundo para a história de Revolta da Vacina, do renomado quadrinista André Diniz, autor de mais de trinta obras, entre elas Morro da Favela, e vencedor de inúmeros prêmios como roteirista e ilustrador de histórias em quadrinhos. Na obra, acompanhamos a trajetória de Zelito, um jovem ilustrador cearense que parte para o Rio de Janeiro e tem seis meses para provar ao pai que poderá construir uma carreira de futuro. Na capital, enquanto procura trabalho como cartunista nos jornais, ele se envolve nas manifestações que iriam culminar na rebelião que sacudiu a cidade naquele ano de 1904
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Revolta da vacina, lançado pela editora DarkSide BooksO livro é de autoria de André Diniz.

“Fé eterna na ciência” —  Oswaldo Cruz



Estamos no ano de 1904 e o Brasil passa por uma crise sanitária sem precedentes. Na transição de Império para República, o governo precisa lidar com problemas além do campo político já que o país sofre com a varíola, a febre amarela e a peste bubônica. Nessa circunstância nós conhecemos o protagonista de Revolta da Vacina, um homem chamado Zelito que tem um sonho de ser ilustrador profissional.


A profissão, no entanto, é mal vista pela família de Zelito... Principalmente por seu pai, que gostaria que o rapaz trabalhasse em seu comércio e se casasse com uma mulher bela e de posses. Um acordo é feito, o pai de Zelito continuará a ajudá-lo financeiramente por mais seis meses, e nesse meio tempo o ilustrador irá procurar uma oportunidade de emprego na capital do Brasil, o Rio de Janeiro. 

Em seis meses Zelito precisa estar trabalhando na área com um respectivo sucesso na profissão, caso contrário ele deverá desistir de seu sonho e seguir a carreira do pai. Ao mudar para o Rio, Zelito se vê no epicentro do mar de doenças que aflige o país. Na tentativa de conseguir emprego nos jornais da capital, Zelito participa de diversas das manifestações que acontecem na cidade, elas são (em grande parte) contra a nova vacina que está sendo produzida para combater as doenças. 


O medo da população é imenso, muitos não acreditam no poder imunizador da dose, conforme o prefeito decreta a obrigatoriedade da vacina Zelito se vê em uma rebelião que ficou marcada na história do nosso país. 

“Sem qualquer esclarecimento sobre a eficácia da vacinação, a população sabia apenas que brigadas de vacinadores, acompanhadas por policiais armados, teriam autorização para violar residências, vacinar as pessoas e prender os que se recusassem a tomar a danada. Até mesmo Rui Barbosa declarou que ninguém teria o direito de contaminar o próprio sangue com um vírus. Imaginem então o que achava a população mais pobre e afastada da educação formal. Àquela época, o próprio princípio da vacinação era polêmico.” Posfácio do historiador Luiz Antonio Simas.



Pessoal, que história incrível! Estava em uma ressaca literária gigante e ler essa Graphic Novel me ajudou muito a voltar com o ritmo de leitura. O autor e ilustrador André Diniz consegue criar uma atmosfera única em seu primeiro trabalho em parceria com a DarkSide Books. Mais relevante que nunca, foi precioso entender um pouco mais sobre o que foi a revolta da vacina de 1904 através da ótica do autor (amplamente estudioso na revolta em questão). 

Além de retratar um momento histórico tão importante, a narrativa tem uma brasilidade singular e retrata uma série de outros fatores além daquela que toma o título da história. Isso porque na narrativa temos uma personagem chamada Soledad, uma mulher imigrante e independente que Zelito conhece no Rio e logo se apaixona; o relacionamento dos dois é desestabilizado por conta do status quo que Zelito persiste em tentar alcançar para agradar seu pai... Além disso, podemos notar uma clara referência ao livro "Memórias Póstumas de Brás Cubas". (Pra saber qual que é você terá que ler! hahaha).


Por fim, preciso dizer que fiquei muito surpreso com a construção do protagonista... O final me surpreendeu muito e a reflexão que essa graphic nos oferece transcende aquele período histórico e se projeta em nosso presente pandêmico. Logo, minha indicação é mais do que reforçada! 

Com uma pesquisa meticulosa, Revolta da Vacina é um documento da persistência de nossas mazelas históricas, que vai informar tanto o jovem leitor em um primeiro contato com o tema, como aqueles já familiarizados com a história. Mas todos os leitores certamente identificarão similaridades entre o Brasil do início do século XX e o país que luta outra vez contra uma peste neste ano de 2021. A luta pela ciência continua e, como afirmou o cientista francês Louis Pasteur, criador da primeira vacina contra a raiva: “Os benefícios da ciência não são para os cientistas, e sim para humanidade!”. Trecho retirado do DarkBlog

4 comentários:

  1. Meu único "medo" com essa Gn são as ilustrações em preto e branco rs(eu sou cegueta, aí já viu né?) Eu sofri demais para ler Maus, por conta das ilustrações assim, mas a gente se esforça rs
    Eu jurava que era um livro e foi uma deliciosa surpresa saber que é uma Graphic, e não, não é revolta dos negacionistas de agora, é algo com fundo histórico e isso é mais animador ainda!!!
    Com certeza, quero muito ler!
    Beijo

    Angela Cunha/O Vazio na flor

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  2. Leo!
    Bom ver uma história ambientada na República no início do século XX, ainda mais sendo uma HQ que torna tudo bem lúdico e mais atrativo de fazer a leitura. Claro que fiquei aqui me perguntando o que será que aconteceu com Zelito? Mas já sei que vai dizer que terei de ler para saber... E como parece com nosso momento.
    cheirinhos
    Rudy

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  3. Narrativa super interessante e o fato de ser uma graphic novel deixa ainda melhor! A literatura nacional merece ser lida e gosto muito do fato de se passar durante um período histórico que a gente conhece devido as aulas de história!! Ameii

    @yasmindeciles

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  4. Temática mais atual não poderia haver. E o fato de ser um GN em P&B torna a leitura ainda mais forte e tensa

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Olá leitores e leitoras! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 24 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Minas Gerais cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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