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RESENHA: NOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO SOVIÉTICOS

31 de julho de 2022

 


NOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO SOVIÉTICOS 
Autor(a):  V. Tchernavin Vladimir
Editora: Faro Editorial 

Páginas: 352
Ano de publicação: 2022
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O socialismo soviético instaurou campos de trabalhos forçados, os chamados Gulags, com motivações e características muito distintas de outros regimes autoritários e que ainda são pouco estudados. Os documentos históricos mais importantes são narrativas de quem esteve lá, que foram registrados em momentos de fuga após a libertação ou escritos durante o cárcere, e transmitem todo o clima daquele momento. A vida de Tchernavin ― um simples engenheiro sem ativismo político adversário ― é revirada de uma hora para outra. A narrativa da chegada de oficiais a sua casa ao envio para um Gulag, sem provas de crimes, parece obra de ficção. Seu relato nos permite conhecer as histórias em primeira pessoa, ouvir o testemunho de quem vivenciou o terror e vislumbrar, ao lado das vítimas, a miséria humanitária e espiritual a que o socialismo as condenou. E só assim é possível compreender as estratégias de sobrevivência, as técnicas para manutenção da sanidade, os resquícios de solidariedade e senso de humor daqueles que se mantinham humanos em meio ao inferno da utopia. Vladimir V. Tchernavin apresenta-nos essa realidade com maestria. A sua escrita corre como um filme: com aventura, suspense e análises de excepcional clareza, como numa mistura de documentário e thriller em que logo nos vemos ao lado do protagonista, sofrendo com ele e torcendo pelo sucesso de seus planos de fuga. “Eu conto a minha própria história porque acredito que apenas dessa maneira poderei cumprir a obrigação moral que um destino generoso me impôs quando me ajudou a escapar do terror soviético – o dever de falar por aqueles cujas vozes não podem ser ouvidas. Em silêncio, eles são enviados aos campos de concentração na condição de prisioneiros; em silêncio, eles são torturados e mortos. [...]” – Vladimir V. Tchernavin.

 

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Nos campos de concentração soviéticos lançado pela Faro Editorial. O livro é de autoria de V. Tchernavin Vladimir e a resenha foi escrita por Leonardo Santos. 

"Eu conto a minha própria história porque acredito que apenas dessa maneira poderei cumprir a obrigação moral que um destino generoso me impôs, quando me ajudou a escapar do terror soviético – o dever de falar por aqueles cujas vozes não podem ser ouvidas. Em silêncio, eles são enviados aos campos de concentração na condição de prisioneiros; em silêncio, eles são torturados e mortos por balas soviéticas”. 

Escrito originalmente em 1935, "Nos campos de concentração soviéticos" traz uma série de relatos escritas por Vladimir V. Tchernavin, um homem que sobreviveu em meio a um dos ambientes mais cruéis e devastadores da segunda guerra mundial: os campos de concentração. 

Pra início de conversa, esse não é um livro ficcional, e sim uma compilação de relatos de um prisioneiro de guerra, portanto, não é um livro fácil de ser lido... E sim, contém diversos gatilhos para leitoras e leitores mais sensível - tortura física e psicológica, abuso e outras tantas coisas são relatadas através do ponto de vista de Vladimir. 

Um dos pontos fugitivos do Gulags (nome do qual era dado para os centros de prisioneiros durante o regime da União Soviética), é doloroso ver a forma como este homem sofreu durante tanto tempo. O motivo de Tchernavin ter ido pra lá também é bem bizarro. 

Gerente de uma empresa de pesca na Rússia, Tchernavin  recebeu a ordem de multiplicar sua produção local em quinze  (sim, quinze) vezes em um período minúsculo de tempo, e por não conseguir cumprir o feito, o homem é preso junto com toda sua equipe. 

"Paradoxalmente, o trabalho forçado dos milhões de prisioneiros dos Gulags estava inserido no sistema econômico proposto por Stálin para dinamizar a economia soviética. Cada prisioneiro era obrigado a cumprir uma jornada diária de pelo menos 12 horas, para receber uma ração básica. Como cumprir as metas era humanamente impossível, a maioria dos presos só recebia metade da ração; com o tempo, o detento se enfraquecia e, frequentemente, morria de inanição."

Após inúmeras tentativas, Vladimir consegue escapar para a Finlândia, e é impossível não se emocionar com o final desta trajetória tão intensa e tão sofrida. 

Mais informações a respeito da história desse homem podem ser encontradas no livro, que foi publicado no Brasil pelo selo Avis Rara, da Faro Editorial. 

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Olá leitores e leitoras! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 24 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Minas Gerais cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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