2 de maio de 2025

RESENHA: ALMAS ENTRELAÇADAS

 


Organizadores: Adelina Sanches
Editora: Independente
Páginas: 181
Ano de publicação: 2025
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Marcela, uma delegada de polícia, e Divania, uma enfermeira, enfrentam situações das mais diversas e encontram pelo caminho barreiras que parecem intransponíveis. Com a ajuda de um psicanalista, as duas personagens se superam profissionalmente e tentam, a todo custo, manter essa união, mesmo com interferências externas e a desaprovação dos seus pais. Muitas vezes, as desavenças surgem de mal-entendidos, diferenças de perspectivas ou falta de comunicação. No entanto, quando se olha para o quadro maior, percebemos que muitos dos conflitos não dependem da vontade de acertar, mas das circunstâncias que norteiam suas vidas. Divania sofre de transtornos psicológicos e se tortura pelo ciúme exagerado, enquanto Marcela se mantém equilibrada. No entanto, juntando-se a outros conflitos, o problema se torna gigantesco, a ponto de deixar à deriva todas as tentativas de promover a paz. O que há pouco tempo não era reconhecido, os relacionamentos homoafetivos são vistos como uma nova realidade. Ainda que renegados pelas famílias conservadoras e pelas doutrinas religiosas, esse modelo de família se fortaleceu, porém está longe de ser aceito como algo natural pela sociedade.

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Almas Entrelaçadas, lançado de maneira independente O livro é de autoria de Adelina Sanches e a resenha foi escrita por Leonardo Santos.


Às vezes, o que mantém duas pessoas juntas não é a ausência de conflitos, mas a insistência em recomeçar, mesmo quando tudo parece querer empurrar pra longe. Foi esse sentimento que me guiou durante a leitura de Almas Entrelaçadas, romance de Adelina Sanches que mergulha no relacionamento entre Marcela e Divania — duas mulheres marcadas por traumas diferentes, mas unidas pela tentativa de encontrar algum tipo de abrigo uma na outra.

Marcela, delegada de polícia, é o tipo de personagem que carrega nas costas o peso do passado e, mesmo assim, se permite amar. Desde a infância, lida com a rejeição do pai por conta de sua orientação sexual — o que a transformou numa adolescente rebelde e, depois, numa mulher forte, firme e profissionalmente realizada. Divania, por outro lado, é enfermeira e carrega feridas mais expostas: sua saúde mental fragilizada, resultado de um lar opressor comandado por um pai autoritário e alcoólatra, compromete sua estabilidade emocional e suas escolhas dentro do relacionamento.

O que Adelina constrói aqui é uma narrativa que não tem pressa, mas também não se estende desnecessariamente. Há um foco muito bem encaixado em algo que a literatura ainda aborda com certa timidez: a complexidade dos relacionamentos homoafetivos atravessados por traumas, repressões e a falta de amparo familiar. Mesmo com ajuda de um psicanalista — que se torna figura-chave na vida de ambas —, a caminhada até a construção de uma relação saudável é longa e cheia de tropeços.


As personagens secundárias cumprem bem seus papéis: servem de obstáculos, de gatilhos e até mesmo de ponto de virada na trama como a própria Leonice, que trabalha com Divania; e o pai dela: O sr. Paulo. Marcela, que tem uma força contida e uma racionalidade que tenta, com dificuldade, sustentar o caos à sua volta. 

Já Divania, por vezes, me frustrou com atitudes impulsivas e sumiços súbitos — mas acredito que essa sensação de incômodo tenha sido proposital. As falhas delas são palpáveis, humanas, e é exatamente isso que torna a relação das duas tão real. Nenhuma delas está ali para desempenhar o papel da parceira ideal — e talvez seja isso que mais me pegou na leitura.




Adelina também acerta ao posicionar o romance dentro de um contexto maior: o preconceito, a imposição de modelos familiares tradicionais e a marginalização das relações homoafetivas. Mas o livro não se torna panfletário; ao contrário, os temas surgem de maneira orgânica, costurados às dores das protagonistas. Há espaço, inclusive, para reflexões sobre saúde mental, autoestima e reconstrução pessoal.

Almas Entrelaçadas é um romance que, mesmo falando sobre amor, não se ilude com a ideia de que amar é fácil. Às vezes, amar é insistir. É buscar ajuda. É enfrentar os próprios fantasmas enquanto segura a mão de alguém que também carrega os seus. E é nesse ponto que o livro mais brilha: na sensibilidade de retratar o afeto entre duas mulheres como ele é — bonito, complicado, corajoso.

 

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Leonardo Santos



Olá leitories! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 28 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Guarulhos cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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