10 de setembro de 2023

RESENHA: ROSA EGIPCÍACA

 


Organizadores:  Luiz Mott
Editora: Companhia das Letras 
Páginas: 672
Ano de publicação: 2023
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Em 1725, aportava no Brasil uma jovem de seis anos que fora escravizada e trazida à força da Costa de Uidá, Nigéria. Vendida na rua Direita, no Rio de Janeiro, foi batizada com o nome de Rosa e estuprada por seu comprador. Passados oito anos, é obrigada a deixar a capital fluminense e seguir para Minas Gerais, numa freguesia próxima à vila de Mariana, onde serviria à família Durão. Lá, se prostituiu por quinze anos até ter os primeiros acessos diabólicos, sofrendo uma série de exorcismos. Em meio a essas sessões, deu-se sua conversão a uma vida voltada ao estudo e à devoção à doutrina católica. Daí por diante, sua rotina de visões místicas e manifestações dos sete espíritos que a possuíam só aumentava. Trabalho primoroso de Luiz Mott, esta é a biografia de uma ex-escravizada negra que, em pleno Barroco brasileiro, chegou a ser considerada por alguns como “a maior santa do céu”. Figura ímpar de nossa história, foi também a primeira escritora negra do país, e sua vida espetacular serviu de inspiração para o samba-enredo da Escola de Samba Unidos da Viradouro de 2023.

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Rosa egipcíaca lançado pela editora Companhia das Letras. O livro é de autoria de Luiz Mott e a resenha foi escrita por Leonardo Santos.

A história de Rosa Maria Egipcíaca da Vera Cruz, uma mulher negra africana do século XVIII, é um relato fascinante que revela a vida extraordinária e complexa de uma figura que desafiou as limitações de sua época. Seu percurso começa quando desembarcou no Rio de Janeiro aos seis anos de idade, vinda da Costa de Mina, nação Courana, trazida como escrava. Vendida para diferentes donos e passando por diversas regiões, Rosa enfrentou separações, abusos e desafios inimagináveis.

Ao longo de sua vida, Rosa experimentou uma série de transformações, indo de escrava a mulher livre, da prostituição à santidade. Sua trajetória é marcada por uma intensa busca espiritual e visões místicas que a conduziram a um papel de liderança religiosa, mesmo em um contexto de opressão racial e social. Seus exorcismos e supostas possessões a colocaram no centro das atenções, tanto para os fiéis que a adoravam quanto para as autoridades eclesiásticas que a investigavam.

Rosa Maria Egipcíaca também se tornou uma escritora notável, sendo a primeira afro-brasileira a escrever um livro, embora apenas algumas páginas tenham sobrevivido. Seus escritos revelam sua conexão profunda com a religião católica, assim como influências do sincretismo religioso afro-católico-brasileiro. Sua fundação do Recolhimento de Nossa Senhora do Parto, uma instituição para mulheres que buscavam deixar para trás uma vida mundana, destacou sua influência e seu desejo de ajudar outras mulheres em circunstâncias semelhantes.

A pesquisa de Luiz Mott em "Rosa Egipcíaca" destaca a relação de Rosa com o padre Francisco Gonçalves Lopes, conhecido como Xota-Diabos, que a apoiou em suas jornadas espirituais e visões. No entanto, essa associação também atraiu controvérsias e suspeitas de heterodoxia por parte do clero.

Embora tenha sido adorada por muitos, Rosa também enfrentou críticas e perseguições. Suas previsões não cumpridas e sua autoproclamação como uma figura divina levaram à sua derrocada. Suas ousadas profecias, como a promessa de um dilúvio que destruiria o Rio de Janeiro, foram metas que não se concretizaram.

A vida de Rosa Maria Egipcíaca da Vera Cruz é um retrato multifacetado de uma mulher que desafiou as convenções e as limitações impostas pela sociedade de sua época. Seu papel como líder espiritual, visionária, escritora e fundadora de uma instituição religiosa destaca sua influência e seu impacto duradouro, apesar das complexidades e contradições que cercaram sua figura. 

Sua história também é um testemunho da rica tapeçaria do sincretismo religioso, onde tradições africanas, católicas e brasileiras se entrelaçaram para moldar sua jornada única e notável.

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Leonardo Santos



Olá leitories! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 28 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Guarulhos cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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