Olá pessoal do Porão Literário! Hoje vou compartilhar com vocês três motivos para ler Fotossíntese. O livro é de autoria de Sinara Foss
Fotossíntese e outros processos de sobrevivência é um excelente exemplo do poder das alegorias da natureza incidindo sobre o texto literário. Sinara Foss, assim como eu e tantas outras escritoras, confiamos na capacidade reativa da natureza. Confiamos que o mato virá, um dia, retomar o espaço que lhe foi tirado. Arquitetado em três subtítulos: Fase luminosa, Fase de fixação e Rearranjo, a reunião de contos segue a organização do processo vital das plantas. A coletânea abre com o estupendo Fotossíntese, conto que traz a história de uma garota que vê brotar, a partir de seu canal auditivo, uma plantinha. Em decorrência desse acontecimento antinatural, somos conduzidos a reflexões que se chocam com questões ancestrais.
Vamos ao post, mas antes leia o livro aqui.
1. Narrativas que brotam da natureza para revelar a condição humana
O título não é aleatório. Em Fotossíntese, a natureza deixa de ser um pano de fundo para se tornar protagonista — ou até mesmo antagonista, dependendo do ponto de vista. Em cada conto, Sinara Foss usa elementos naturais para discutir temas densos como resistência, trauma, opressão e transformação. A natureza, aqui, não é domada: ela reage. E essa reação muitas vezes é inquietante, como vemos logo no conto de abertura, onde uma garota lentamente se transforma em uma árvore. Sim, você leu certo.
2. Contos que causam estranhamento e fascínio na mesma medida
Se você gosta de histórias que fogem do comum e te tiram do eixo, esse livro é um prato cheio. Sinara costura enredos que transitam entre o real e o surreal, o social e o simbólico. Em Desova, o ressentimento ganha forma física; em Marcador de páginas, uma paranoia aparentemente banal se desdobra em algo bem mais profundo. Cada conto guarda uma surpresa — e boa parte delas envolve uma tensão quase palpável, que pode lembrar a obra da autora sul-coreana Han Kang (A Vegetariana), com quem Sinara dialoga poeticamente em muitos aspectos.
3. Uma cidade fictícia que liga tudo com identidade e força
Todos os caminhos levam a Vinha D’Alho, cidade inventada por Sinara Foss que já apareceu em sua obra anterior, Plural de fêmeas. Aqui, ela ressurge como um território simbólico onde histórias muito diferentes se entrelaçam. Mesmo com temas variados, os contos mantêm um ritmo e uma identidade que fazem do livro algo coeso — como se estivéssemos explorando diferentes raízes de uma mesma árvore. Ao final da leitura, é impossível não carregar consigo as imagens e personagens que habitam essa cidade tão viva quanto literária.
E aí, ficou curioso? Comece agora mesmo a ler esse livro!