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RESENHA: TERRITÓRIO LOVECRAFT

27 de maio de 2020

Território Lovecraft

TERRITÓRIO LOVECRAFT
Autor(a): Matt Ruff
Editora: Intrínseca

Páginas: 352
Ano de publicação: 2020
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Nos Estados Unidos segregados da década de 1950, Atticus é um rapaz negro, veterano da Guerra da Coreia, fã de H. P. Lovecraft e outros escritores de pulp fiction. Ao descobrir que o pai desapareceu, ele volta à cidade natal para, com o tio e a amiga, partir em uma missão de resgate. Na viagem até a mansão do herdeiro da propriedade que mantinha um dos ancestrais de Atticus escravizado, o grupo enfrentará sociedades secretas, rituais sanguinolentos e o preconceito de todos os dias.
Ao chegar, Atticus encontra seu pai acorrentado, mantido prisioneiro por uma confraria secreta, que orquestra um ritual cujo personagem principal é o próprio Atticus. A única esperança de salvação do jovem, no entanto, pode ser a semente de sua destruição — e de toda a sua família. E esta é apenas a primeira parada de uma jornada impressionante. Estruturado ao mesmo tempo como uma coletânea de contos e um romance, Território Lovecraft apresenta, além de personagens memoráveis, elementos sobrenaturais, como casas assombradas e portais para outras realidades, objetos enfeitiçados e livros mágicos.
Um retrato caleidoscópico do racismo — o fantasma que até hoje assombra o mundo —, a obra de Matt Ruff une ficção histórica e pulp noir ao horror e à fantasia de Lovecraft para explorar os terrores da época de segregação racial nos Estados Unidos.

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Território Lovecraft, lançado pela Editora Intrínseca. O livro é de autoria de Matt Ruff e tem tradução de Thais Paiva, Território Lovecraft também está na edição exclusiva do Clube Intrínsecos (caixa de Janeiro).


A história se passa em 1954 em um Estados Unidos segregado. Nele, conhecemos Atticus, um jovem negro que acabou de voltar da Guerra da Coreia. Tentando voltar ao ritmo da sua vida pré-guerra, Atticus Turner recebe uma estranha carta de seu pai, pedindo para ir encontrá-lo em sua cidade natal, Chicago.

Entretanto, a viagem em si já é um grande problema para Atticus, mesmo com o Guia de viagem do negro precavido em mãos, viver em uma sociedade tão racista faz com que uma simples viagem se torne algo bem mais perigoso para um negro. Ao chegar em Chicago, Atticus descobre que seu pai foi levado por um homem misterioso para o "Território Lovecraft", uma região remota de Ardham. E então, junto com seu tio George e sua amiga Letitia, uma viagem de resgate se inicia.

Antes de tudo, acredito que seja importante mencionar como a narrativa de Território Lovecraft é diferente de outros livros que você leu até então: Ao invés de capítulos que se intercalam, o livro é formado por contos cujo ponto de vista é compartilhado entre os personagens da história. O primeiro conto é narrado através de Atticus, mas temos contos narrados por Letitia, sua irmã (Ruby), e outros personagens.

O mais interessante é que todos esses contos se ligam e dão uma espécie de teia que é tecida pelo autor, e você sente que um acaba sendo uma continuação indireta do outro, já que todos os personagens se envolvem de alguma forma.

Por ter Lovecraft no nome você já espera uma narrativa de terror, certo? Pois bem, Matt Ruff sabe criar essa tensão, mas esse "horror" não está no lado sobrenatural (que é presente), mas no que a de mais real na década de 1950: a segregação.

Tal assunto ocupa grande espaço nos contos de Matt Ruff , e ocupam de forma magistral. Isso com certeza foi o que mais me atraiu na narrativa, a começar pela frase estampada na contra-capa do livro: "Um vulto de branco é mais assustador se for um fantasma ou um membro da Ku Klux Klan?".

Apesar do grande acerto do autor, o livro também tem alguns problemas, mas acredito que o principal seja na construção de um clímax, por ser vários contos, o certo seria ter no final de cada um um clímax e conforme vamos chegando no final do livro o conflito seria tão grande que chegaríamos ao ápice da narrativa, mas infelizmente não é isso o que encontramos.

O conflito no primeiro conto é muito bom (mesmo que ele aconteça de forma muito rápida), entretanto alguns dos outros não são tão fortes e não sustentam o nível que foi estabelecido. Isso fez com que meu ritmo de leitura sofresse por altos e baixos.

Um outro ponto que ficou um pouco confuso pra mim foi a escolha de Lovecraft para o título, existem referências ao autor (inclusive o fato dele ser racista e xenofóbico) que oferecem um bom debate, entretanto os elementos de pulp fiction que aparecem no início do livro parecem perder o brilho no decorrer da trama.

No geral, Território Lovecraft me surpreendeu bastante pelo seu humor sarcástico e por suas referências extremamente atuais, indico FORTEMENTE!






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Olá leitores e leitoras! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 24 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Minas Gerais cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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